"Uma cabeça má arruína o corpo inteiro."
(Mariano da Fonseca, marquês de Maricá (1773-1848), político carioca)

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O Papel dos limites na formação da criança


Enviado por Sonia Pires Ramos


Criar os filhos, ensiná-los e treiná-los para se tornarem adultos saudáveis em todos os os sentidos, parece ser o desejo pessoal de todo pai e mãe. Apenas ter boas intenções não garante o sucesso nessa tarefa, que é complexa e exige muita reflexão, disposição e persistência. Por se tratar de um processo, não alcançamos o objetivo imediatamente mas, podemos colher bons frutos já enquanto os preparamos para a vida, sendo coerentes naquilo que ensinamos, claros e firmes na colocação de limites, bem como valorizando cada conquista na forma de comportamento assertivo dos nossos filhos.

O ser humano ao nascer não traz consigo valores éticos para pautar o seu comportamento. Foi atribuído a nós, como pais cristãos, a responsabilidade de educar os nossos filhos para a formação do quadro de valores que nortearão o seu comportamento.

Iniciamos esta tarefa a partir da concepção deles, quando já recebem influências da dinâmica externa da mãe e durante toda a infância e adolescência, chegando a idade adulta, fortalecidos no conhecimento, aptos para amar e respeitar o outro e não apenas a si próprio, transmitindo, também aos seus descendentes os valores aprendidos.

Os limites conferem ao homem a sua humanidade.

 

Desenvolvendo os Próprios Limites

As crianças precisam de pais com limites bem definidos. Conscientes da importância da disciplina na educação dos nossos filhos, é o nosso dever revermos os nossos próprios padrões, valores e princípios, bem como o grau de autocontrole que servirão de parâmetro para o nossos funcionamento.

Então estaremos prontos para educar.

Nossos filhos estão constantemente aprendendo conosco, muito mais através do exemplo do que pelas palavras que proferimos à eles.

De acordo com a teoria da aprendizagem social, as crianças imitam o comportamento dos adultos. A atitude dos pais diante dos fatos cotidianos exerce uma forte influência na criança que aprende a lidar com as situações observando a postura deles.

Nesta teoria as atividades dos adultos são modelos que servem como fonte primária de comportamento aprendidos. A criança admira seus pais e quer ser igual a eles.

Há ocasiões em que dizer "não" aos filhos é saudável e faz parte da disciplina. Quando explicamos "porque não", damos a eles a chance de entenderem os motivos da negativa e as conseqüências que podem surgir se vierem a desobedecer. Os pais são as pessoas mais indicadas para disciplinar. O ideal é que tenham desenvolvido a confiança em seus filhos. O castigo é o preço que a criança paga por desobedecer às regars. Não é aconselhável intimidar os filhos com um castigo que não poderá ser cumprido. Isso faz com que você fique desacreditada e seus limites enfraquecidos.

 

Disciplina X Limites

Segundo Lannoy Dorin, a disciplina é um processo que envolve ensino, aprendizagem e treino.

Limite é a linha de demarcação, ponto que não deve ser ultrapassado. É a forma de levar a criança a ter autodireção. Limites são importantes para o desenvolvimento da personalidade e organização interna da pessoa.

É necessária às crianças e jovens porque:

a) Ensina-lhes os limites de sua liberdade.

b) Ensina-lhes que o mundo responde de forma ordenada às suas ações, ou seja, premia certos comportamentos e pune outros.

c) Ensina-lhes que precisam aprender a tolerar certas coisas e não se conformar com outras.

d) Ensina-lhes a ssumirem responsabilidade dos próprios erros.

Colocar limites é fundamental para desenvolver no filho a compreensão e o respeito ao outro. É dizer "sim" sempre que for possível, e "não" sempre que for necessário.

Conhecendo alguns aspectos das diferentes fases do desenvolvimento infantil, será mais fácil colocar limites, aproveitando o momento psicológico da criança.

 

Características das Crianças nas Diferentes Faixas Etárias

0-2 anos:  (Sensório Motor) Ao nascer, a criança é totalmente dependente da mãe. Busca satisfação imediata de suas necessidades. Não possui noção de valores. Os limites são estabelecidos pela mãe, para amamentação e sono, a partir da orientação médica dos intervalos convenientes.

Já com hábitos regrados a criança terá menos dificuldades na sua educação posterior. Ao longo desse período a criança irá conhecer novos limites quanto às brincadeiras, em companhia dos pais ou sozinha, e começa a perceber, também que as suas próprias ações podem produzir efeitos no exterior. Começa a falar, já não aceita mais ficar no quarto sozinha. Gosta de brincar com muitos brinquedos, rasga todo papel que encontra. É importante a colocação de limites, saber dizer "não" na hora certa, com firmeza e paciência, contribui para a própria segurança da criança.

Aos dois anos de idade, a criança a tudo diz "não", testando o ambiente para saber até onde ela pode dominar.

2-6 anos: Início do estágio pré-operacional. A criança desenvolve as formas iniciais de raciocínio eclassificação, mostra alguma habilidade primitiva de ver as coisas a partir da perspectiva dos outros.

Em torno dos quatro ou cinco anos de idade a criança começa a perceber como é importante ser obediente, bondosa e honesta, e fazer o que seus pais ordenam. Ela atua de acordo com as exigências e o controle dos adultos.

6-12 anos: (Operações Concretas) A criança é capaz de realizar vãrias oprerações mentais complexas necessárias ao raciocínio matemático. Nessa idade a criança tende a aceitar as regras como imutáveis e indiscutíveis. Ela percebe o mundo em termos de um realismo moral. Passa a considerar as opiniões das outras  pessoas. Isso é muito importante para seu desenvolvimento moral.

Aos dez anos, de acordo com Piaget, a criança começa a ingressar numa fase mais madura, em que a cega obediência às regras passa a ser substituída por uma moralidade de cooperação. Ela tem consciência de que é preciso colaborar com os outros, que todos tem necessidades, direitos e deveres, e que se tudo isto for levado em conta o relacionamento torna-se enfraquecido.

12 anos em diante: (Operacões Formais) O jovem torna-se capaz de manipular idéias buscar a solução de problemas sistematicamente. Possui normalmente, um esquema rígido de julgamento de seus atos e pensamentos bem como dos de outras pessoas: lei é lei, ordem é ordem.

Tem consciência das conseqüências de seus atos e sente-se muito bem quando está de acordo com seu conceito de "certo".

 

Conseqüências da Falta de Limites

A falta de limites na criança gera inúmeras dificuldades que poderão repercutir ao longo de suas vidas. Conseguem tudo o que querem ou pelo menos tentam a partir da manipulação ou birra.

As crianças apresentam inúmeras necessidades que precisam ser satisfeitas e muitos desejos e caprichos que não necessitam imediatamente. É nosso dever identificar e mostrar às crianças, com firmeza, limites aos seus desejos e vontades.

Exemplificando:

Marina é uma garota com sete anos de idade. É a única filha do casal. Ela é bonita, inteligente e muito voluntariosa. Foi sempre muito mimada. É birrenta e manipuladora. As vontades e desejos sempre foram atendidos imediatamente. Os seus pais consideravam importante proporcionar tudo o que a filha pedisse. Afinal de contas, a infância deles (os pais), foi muito difícil, a condição econômica dos pais era precária suprindo apenas as necessidades básicas da família. Portanto, nada melhor do que poder "agradar" a filha, já que possuíam condição finaceira privilegiada.

Apesar de ter tudo o que queria, Marina demonstrava estar sempre infeliz, não respeitava os seus pais, com mau humor constante. Tudo o que recebia dos pais, brinquedos ou qualquer coisa, perdia a graça logo em seguida. Exercia uma "tirania" sobre os seus pais, comprometendo a tranqüilidade, de tal forma que eles constantemente brigavam entre si, culpando-se mutuamente, sem saber o que fazer para melhorar a situação.

Na escola era problema sério a sua falta de limites, comprometia a sua integração social e o aproveitamento da matéria. Foram orientados por um profissional da educação e conseguiram estabelecer limites, primeiramente para eles, enquanto pais, e em seguida com Marina.

1º Avaliando a situação.

2º Resgatando valores.

3º Agindo com firmeza.

4º Buscando sempre coerência na colocação dos limites frente aos comportamentos inadequados da filha.

5º Compartilhando amor.

Segundo eles, foi uma verdadeira batalha o processo de colocação dos limites, que exige, ainda hoje, determinação e amor.

Os limites nem sempre são bem recebidos pelos nossos filhos. Eles querem, de prefência, que a sua vontade prevaleça. Com senso e sabedoria, alcançaremos os objetivos.

 

Seis regras básicas que ajudam na colocação dos limites:

1. Você deve dizer NÃO na hora que for preciso. Seu filho não vai deixar de gostar de você por causa disso.

2. Sejam coerentes. Pai e mãe devem concordar. Se discutirem, discutam longe da criança.

3. Mantenha algumas regras dentro de casa. Você estará preparando o seu filho para a vida.

4. Trate seus filhos com igualdade. Não use formas diferentes para tratar o mesmo tema. Eles possuem forte senso de justiça.

5. Premie ou responsabilize sempre com a intensidade que o fato mereça. Nunca exagere nos prêmios ou consequências.

6. Critique o ato, nunca a pessoa ou a personalidade dos seus filhos.

 

 


15 de Setembro de 2009



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